Quarta-feira, Julho 20, 2005

Pingente

Disse que vinha, mas não vim. Nem “amanhã”, nem depois, depois. Bom, agora estou.

Hoje é dia do amigo. E seria fácil viver hoje, se ontem eu não tivesse aberto a gaveta onde eu e mais alguém guardamos uma amizade eterna. A eternidade de dias contados, a eternidade desesperada, a eternidade na corda bamba.

Nunca consegui entender por quê tudo sempre foi tão estranho entre a gente. Tão estranho e tão forte. Forte a ponto de nos perguntarmos se éramos mãe e filha, quem sabe irmãs, na última encarnação. Forte a ponto de procurarmos saber se uma alma, na vida seguinte, poderia se partir em duas. Forte a ponto de nos reconhecermos como caquinhos da mesma alma. Independente da viabilidade das nossas hipóteses, fato era que fazíamos parte da mesma coisa. Éramos pedaços de nós mesmas que compunham um mosaico. Um desenho pra não se ver. Um desenho pra se sentir.
Éramos um poço de desespero compartilhado. Éramos um álbum de dores. Mas éramos também consolo, cumplicidade, conforto. Porque éramos comprimido de farinha. E éramos o papel amassado que ainda guardo até hoje e que qualquer dia te mostro. Éramos paz. Éramos ciclo eterno entre vida e morte. Éramos um fio.
Sei lá o que éramos. Mas, seja lá o que fossemos, éramos de mãos dadas.
Eu não sei o que aconteceu. Não acho que sejamos outra coisa. Acho é que escondemos o que somos – o que fomos. Pusemos numa gaveta da alma e acabamos como Salvador Dali.
Não, nós não acabamos. Nós tiramos um cochilo. Uma soneca. Foi só isso. Porque ontem eu vi quando você abriu os olhos e mostrou, ao olhar, o que ainda somos. Mas a gente logo voltou a dormir.
Não vou desistir de acordar.
Um dia, quem sabe, a gente se encontra (de verdade). E eu não vou ter vergonha, sabe por que? Ainda tenho um pingente. E se você não tiver, não tem problema. Eu te ajudo a procurar. Quem sabe durante a procura a gente desperta por completo.
Eu me pergunto se você vai se reconhecer aqui. Pergunta besta, né? Bom, então, se você vier... desculpa qualquer coisa, só pra não perder o hábito. Não esquece que você faz falta. E que carrego essa falta comigo.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Feliz dia do amigo!! "eu sei q vc sab quase sem kerer, q eu vejo o mesmo q vc..." Bjinhus Tha*

1:38 AM  

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