Moscas, sapos e afins
Desde que cheguei em casa, por volta das duas da tarde, venho me controlando pra não escrever aqui. Esperei a vontade passar. Esperei que as idéias deixassem a casa da mente. Ocupei o tempo com outras coisas pra que as minhas mãos se controlassem. Li o jornal e, na leitura, senti falta das palavras gostosas. Fui procurar o Chico. Li Chico, ouvi o Chico. Servi-me de um banquete de imagens sonoras, imagens textuais e imagens imaginadas.
Naturalmente, aconteceu o contrário do que eu esperava. Ao invés de controlar a inquietude das minhas mãos, perdi o controle. Aliás, hoje eu perdi o controle de tudo, desagüei, explodi. Estou leve. Mas isso não vem ao caso. Interessa é que não resisti à tentação de escrever e, como já se pode perceber há algum tempo, cá estou.
Explico antes porque é que não queria vir aqui. Não queria vir porque eu, quando palavra, estou nua. Não tenho vergonha dessa nudez. Mas fato é que ela expõe aquilo que nos é íntimo. Nosso, unicamente nosso. Expor o que somos, despir-nos, significa dar a cara à tapa, estar sujeito ao julgamento alheio. É deixar que o outro nos penetre e, também, penetrar o outro. Estar nu como falo é quase como fazer amor com um estranho.
Naturalmente, aconteceu o contrário do que eu esperava. Ao invés de controlar a inquietude das minhas mãos, perdi o controle. Aliás, hoje eu perdi o controle de tudo, desagüei, explodi. Estou leve. Mas isso não vem ao caso. Interessa é que não resisti à tentação de escrever e, como já se pode perceber há algum tempo, cá estou.
Explico antes porque é que não queria vir aqui. Não queria vir porque eu, quando palavra, estou nua. Não tenho vergonha dessa nudez. Mas fato é que ela expõe aquilo que nos é íntimo. Nosso, unicamente nosso. Expor o que somos, despir-nos, significa dar a cara à tapa, estar sujeito ao julgamento alheio. É deixar que o outro nos penetre e, também, penetrar o outro. Estar nu como falo é quase como fazer amor com um estranho.
Hoje, percebi o quanto a comunicação é sempre imperfeita. E, em certas horas, quanto mais tentamos precisar a linguagem, mais vago se torna aquilo que queremos dizer. E é difícil chegar no outro, tocar o outro. É difícil entender que o outro, na maioria das vezes, quando compreende integralmente, ou quase que integralmente, aquilo que queremos dizer, não reage da maneira que nós reagiríamos quando em seu lugar. Aliás, o outro nem age nem reage como nós diante de uma mesma situação. Talvez porque nunca duas pessoas estejam, em todos os sentidos, na mesma situação. O contexto depende do olhar. E o olhar nosso não é o olhar do outro, pelo simples fato de que o outro é nada mais nada menos que o outro. E, portanto, alheio. O outro não nos pertence. E é por pensar assim que, para mim, a conquista do outro, no sentido de tocá-lo da maneira como quero, é eterna.
Ouvi dizer que devo viver apenas as horas boas e dormir quando acontecem coisas ruins. Isso porque, dormindo, o meu cérebro pára de funcionar. E porque eu renasço cada dia de manhã, renasço despida das lembranças ruins. Olha como sou um ser inteligente! O meu cérebro seleciona apenas o que me faz feliz, e joga fora o que me faz triste. Ele faz isso enquanto durmo... mas... o cérebro não pára de funcionar quando durmo? Então, como ele faz essa seleção? Então? Então? Então? Quando ele varre os lixinhos da alma? Como ele filtra meu coração se, quando meu coração sossega, no sono, meu pensamento congela? Eu não entendo. Mas isso é o que ouvi dizer. Essa é a lógica do outro. E o outro não sou eu. O outro não é meu. O outro é e sempre será um eterno mistério, um mistério que sempre despertará a minha curiosidade. Essa curiosidade cultivarei, ainda que tenha que faze-lo em silêncio, ainda que não possa dividi-lo com o outro. Porque o desejo de tocar o outro é parte de mim. Não nego a individualidade do outro. No entanto, da mesma maneira, não nego meu desejo de coletivo.
Ouvi dizer que devo viver apenas as horas boas e dormir quando acontecem coisas ruins. Isso porque, dormindo, o meu cérebro pára de funcionar. E porque eu renasço cada dia de manhã, renasço despida das lembranças ruins. Olha como sou um ser inteligente! O meu cérebro seleciona apenas o que me faz feliz, e joga fora o que me faz triste. Ele faz isso enquanto durmo... mas... o cérebro não pára de funcionar quando durmo? Então, como ele faz essa seleção? Então? Então? Então? Quando ele varre os lixinhos da alma? Como ele filtra meu coração se, quando meu coração sossega, no sono, meu pensamento congela? Eu não entendo. Mas isso é o que ouvi dizer. Essa é a lógica do outro. E o outro não sou eu. O outro não é meu. O outro é e sempre será um eterno mistério, um mistério que sempre despertará a minha curiosidade. Essa curiosidade cultivarei, ainda que tenha que faze-lo em silêncio, ainda que não possa dividi-lo com o outro. Porque o desejo de tocar o outro é parte de mim. Não nego a individualidade do outro. No entanto, da mesma maneira, não nego meu desejo de coletivo.
No meu fotolog, pûs no título a seguinte frase: “Há coisas que melhor se dizem calando”. Foi Machado quem disse. E eu repeti, porque concordo com ele. Mas, hoje, aprendi que há também coisas que não são para serem ditas. São para ficarem dentro de nós. Seja para que brotrem, cedo ou tarde; seja para que morram apenas. Acho que era isso que o ditado queria nos dizer. “Em boca fechada, não entra mosca”.

